O Projeto

Pontes de Esperança: atravessando 40 anos do cultivo colaborativo de comunidades ecológicas para nutrir futuros sustentáveis

Atravessando 40 anos de projetos colaborativos entre a Universidade Federal de Santa Catarina- UFSC, a Universidade do Estado de Santa Catarina- UDESC e os Movimentos Sociais e Culturais do Campo e da Grande Florianópolis para nutrir futuros sustentáveis, o Projeto Pontes de Esperança objetivou a construção coletiva de um monumento poético de celebração, formação e transformação ecosocial, inspirado pelo projeto agroecológico do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

A partir de pequenas rodas de escuta e experimento em oficinas de EcoPedagogia por meio das Artes realizadas no campo e na cidade e coordenadas pelo Instituto Transformance, idealizamos a proposta coletiva de uma instalação pública no local da antiga Concha Acústica, na Praça de Cidadania, na UFSC.

Em Maio-Junho de 2026, a Concha Acústica foi reformada para abraçar, como nos inspira a obra ao lado “Un Abrazo Andinoamericano as Pessoas Unem”, uma ‘espiral de tempo’, de um outro tempo, acolhida por uma ‘parede de cura’, um viveiro de plantas medicinais doadas pelos colaboradores e colaboradoras no projeto, um horizonte voltado para a direção do Restaurante Universitário, com o desejo de construir Pontes de Esperança que fortaleçam a agroecologia e o exercício do direito à alimentação saudável também para toda a comunidade universitária. Assim, surge uma possibilidade de diálogo com as valiosas criações artísticas ao redor. Todas erguidas com um mesmo princípio: respeitar, valorizar a vida em suas diversas manifestações.

Nessa espiral do movimento de tantas narrativas populares, ancestrais, acadêmicas, científicas das lutas pela justiça e pelo cuidado da Mãe Natureza, simbolizadas por pegadas de povos e comunidades ao longo da história, inserimos 14 ‘cápsulas de diálogo’ entre objetos, símbolos doados por pessoas de diferentes territórios, capazes de narrar e celebrar, juntas, décadas de colaboração, e abordarem questões inéditas da época atual de colapso múltiplo e civilizatório.

Cada cápsula tem sido montada para deixar o olho com espaço para respirar e a imaginação com liberdade de ir e vir, uma pausa que inspira curiosidade, fascínio, questões, interpretações, afirmações e/ou buscas de relações entre desejos, histórias, esperanças, culturas, e narrativas íntimas, comunitárias e épicas, numa caminhada sensibilizadora ‘contra o relógio’ de desenvolvimento e do descuido, até chegar a um um ‘horizonte de cura’, o limiar pessoal de escolha entre sofrer ou transformar o ‘fim do mundo’ em futuros sustentáveis.

Em movimento ‘contra relógio’, a espiral se torna um ‘monumento horizontal’, que pode inspirar curiosidade, reflexão, diálogo, cuidado e cura.

Objetivos

Com apoio da Câmara Federal, especificamente de emenda parlamentar do Deputado Federal Pedro Uczai (PT), o projeto Pontes de Esperança realizou:

1. Oficinas artístico-pedagógicas entre 2025-26 na UFSC; nos assentamentos de Fraiburgo e Abelardo Luz e no Centro de Artes, Design e Moda (CEART) da UDESC, para integrar diversas pedagogias, formar um núcleo gestor e capacitar participantes dos territórios do projeto para advogarem as artes como linguagens de sensibilização, transformação e criação de comunidades sustentáveis.

2. O Monumento Pontes de Esperança junto à antiga Concha Acústica, Praça da Cidadania, UFSC.

3. Um conjunto de entrevistas com pessoas que compõem a história desta relação de 40 anos, gravadas em vídeos e disponíveis em acervo audiovisual e na página web do projeto.

4. O Memorial das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, localizado em frente à Reitoria II, fisicamente no espaço da antiga secretaria do clube dos Volantes da UFSC, hoje renomeado como NIMPE – Núcleo de Integração Multicultural Popular Esportivo. Nesse espaço reunimos uma “pequena faceta” das lutas, conquistas, festas, brinquedos e celebrações dos trabalhadores e trabalhadoras. Materiais que, organizados, recuperam simbolicamente essa importante trajetória. Após ordenados, serão disponibilizados nas redes sociais, e também de forma presencial para visitas guiadas de escolas, estudantes das universidades, grupos que solicitarem, etc. Com essa ação, mais que instituirmos um local físico importante, queremos prestar nosso reconhecimento e gratidão aos que nos antecederam e contribuíram com suas ações na construção das lutas e conquistas dos trabalhadores e trabalhadoras.

5. Um jogo de futebol dos amigos e amigas do MST, brincadeira simbólica realizada na UFSC com representações de vários segmentos sociais: ocupações urbanas, povos indígenas, jovens, crianças e lideranças do futebol comunitário de Florianópolis, estudantes, professores e professoras , TAEs- Técnico-administrativos, Trabalhadores e Trabalhadoras terceirizadas, dirigentes de Movimentos Sociais, parlamentares, artistas, religiosos e religiosas, sindicalistas, etc. Um jogo de futebol que ao ser jogado contou o que já vimos construindo e desejamos construir nesse tabuleiro social complexo e desamoroso onde se movem nossas lutas e humanidades sociais, mostramos que outras formas de jogar no futebol e na vida são possíveis, jogamos para com-partrilhar a vida num jogo brincante, onde venceram as nossas melhores humanidades (uma unidade).

Nossos propósitos com este projeto tem sido o de promover o debate sobre temas como: Educação Emancipatória, Educação do Campo, Reforma Agrária, Produção de Alimentos Saudáveis, Agroecologia, Arte, Cultura Corporal e Cultura Popular. Visamos ainda registrar e promover a memória das lutas sociais do campo e cidade catarinense e da relação da UFSC e UDESC com estes povos e difundir a perspectiva democrática e coletivista, por meio da valorização da participação popular na ciência, na política e nas artes.